Internet a bordo já é aspecto decisivo para o consumidor. Tendência que deve se intensificar

As mais diversas pesquisas globais com consumidores apontam para uma verdade: o cliente brasileiro está entre os mais interessados do mundo em adotar novas tecnologias. É vanguardista – ou early adopter, como prefere chamar a indústria de tecnologia. Estudo da PwC divulgado no começo deste ano apontou que, no Brasil, 59% das pessoas gostariam de comprar dispositivos com inteligência artificial, um dos números mais elevados da pesquisa.
Outro levantamento, da KPMG, aponta que 75% dos executivos da indústria automotiva no Brasil acreditam que o carro conectado vai sustentar o modelo de negócio deste setor nos próximos anos. Uma série de fabricantes de veículos já entendeu que, no lugar de esperar por grandes revoluções automotivas, vale a pena investir para tornar os automóveis mais customizados ao cliente por meio de sistemas de infotainment, centrais multimídia e outros recursos capazes de garantir internet a bordo.
“Ao contrário do que o setor automotivo esperava há algum tempo, esta é uma revolução que começa independentemente de outros avanços previstos para o carro, como a condução autônoma. É algo que já está em curso”, avalia Ricardo Bacellar, líder do setor automotivo da KPMG no Brasil. |
| APOSTAS CERTEIRAS |
Entre as empresas que decidiram apostar em carros conectados no Brasil está a General Motors, que no fim de 2015 lançou no Brasil o Chevrolet OnStar. A tecnologia reúne recursos de localização, diagnóstico remoto de problemas no veículo por meio de aplicativo no celular, sistemas de segurança, além de serviço de concierge. A solução vem de fábrica em alguns modelos da marca com seis meses de uso gratuito. A empresa calcula já ter 50 mil clientes que decidiram pagar assinatura mensal para continuar usando a tecnologia depois deste período.
A GM aponta que os novos recursos permitem coletar dados dos clientes e entender seus hábitos e rotinas de uso do sistema, algo que gera novas oportunidades de negócio. “A empresa fica bem mais próxima do consumidor”, resumiu Alexandre Guimarães, diretor de infotainment e telemática da companhia, há alguns meses, quando participou do Congresso SAE Brasil.
Outro exemplo de marca que investiu em conectividade e colheu bons resultados é a Nissan. Desde 2015 a companhia oferece pacote de equipamentos para o March, o Versa e, mais recentemente, o Kicks, que inclui a central multimídia Multi-App, que se propõe a ser um tablet dentro do carro, conectado à internet e com a possibilidade de acesso a uma série de aplicativos. O recurso se destaca principalmente entre os clientes mais jovens, que buscam no automóvel a mesma conectividade que encontram no smartphone.
No segmento premium, há a BMW, que investiu para lançar no mercado brasileiro o ConnectedDrive, plataforma on-line que traz recursos de segurança e acesso remoto do proprietário ao carro. É possível, por exemplo, destravar as portas ou piscar os faróis por comandos no celular. A solução vem de série nos carros da marca, mas o plano da empresa é passar a cobrar por alguns serviços ou assinatura. “No Brasil temos a maior taxa mundial de uso do ConnectedDrive. O consumidor brasileiro é muito conectado. Percebemos que aqui as pessoas incorporaram a plataforma ao dia a dia, tanto que, se temos qualquer problema, rapidamente recebemos uma série de reclamações”, conta Henrique Miranda, gerente de mobilidade da BMW no Brasil.
Para ele, são os recursos de multimídia e conectividade que garantem que o automóvel tenha mais apelo com os consumidores, acostumados com o dinamismo e atualização dos smartphones. “A conectividade muda o jogo”, diz. Se design, motor e toda a parte mecânica só podem ser atualizados quando o cliente troca de carro, ele defende que o caminho é garantir que a interface digital se renove com mais frequência, tornando os automóveis mais perenes. “Precisamos inserir novas funcionalidades de tempo em tempo.”
Com finformações de: Automotive Business


