De caminhões a comerciais leves, passando por projetos de novas fábricas e investimentos no exterior, o economista Luiz Carlos Moraes, 59 anos, já lidou com os mais diversos aspectos da indústria automotiva.
Os desafios que enfrentou em quatro décadas na Mercedes-Benz também o tornaram especialista em conjuntura nacional.
Aprendeu na prática a lidar com temas que estão na pauta do setor, como custo Brasil e abertura comercial.
Sua recente eleição para presidir a Anfavea evitou um racha na entidade. Ao tomar posse, na terça-feira 23, para o mandato até 2022, o conciliador Moraes já sabia que teria pela frente alguns dos maiores desafios de sua carreira, para os quais precisará da união de todas as montadoras.
Nesta entrevista exclusiva à DINHEIRO, ele detalha os planos das empresas para lidar com a revolução da mobilidade e antecipa as mudanças pelas quais essa indústria deverá passar nos próximos anos.
DINHEIRO – A perspectiva da Anfavea é de alta de 9% na produção de veículos em 2019. Considerando o recuo no primeiro trimestre, essa meta ainda é possível?
LUIZ CARLOS MORAES – A previsão se baseou num determinado crescimento do PIB, no controle da inflação e numa taxa de juros mais adequada ao atual momento. Achamos que isso está se confirmando no faturamento diário, dos diversos setores automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
DINHEIRO – O setor automotivo está indo na contramão da indústria. Qual é o segredo?
MORAES – A indústria passou por um momento muito difícil nos últimos três anos. A gente está saindo de uma base baixa e é natural que as frotas nas ruas comecem a ser renovadas. No caso de veículos comerciais, há veículos envelhecidos circulando. No caso de automóveis, a gente percebe que a inadimplência caiu. Tudo isso colabora, na média, para que a gente tenha um mercado mais robusto este ano.
DINHEIRO – Olhando além do setor, o senhor enxerga algum problema estrutural na indústria brasileira?
MORAES – A gente acha que é preciso aprovar as reformas, começando pela Previdência. Ela vai trazer um ambiente de negócios mais favorável para o investimento e para o consumo. Isso é fundamental para ter um crescimento mais robusto e não ser um novo voo de galinha como no passado.
DINHEIRO – O senhor vê o risco de um novo “voo de galinha” na economia brasileira?
MORAES – Esperamos que não aconteça. A nossa aposta é que a reforma será aprovada e será robusta. Não tem saída. Precisamos de uma reforma profunda para ter a economia funcionando rapidamente em velocidade de Fórmula 1.
Com informações de: ISTOÉ DINHEIRO


